Nem tudo é perfeição

por Franklin Rezende em 2 de julho de 2014

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Por grandiosas e magnificas de sejam algumas obras espalhadas pelo mundo, elas sempre apresentam algum defeito. Defeitos estes que podem ser mínimos, e quando comparados a grandeza da obra, não são levados em conta. Mas o problema passa a ser maior quando o defeito afeta a o resultado final da obra, causando falhas na funcionalidade do projeto ou até mesmo comprometendo a saúde e vida daqueles que a frequentam.

Arrume um lugar confortável para sentar e venha comigo se surpreender por algumas obras não serem como imaginam. Será que uma delas é a sua favorita?

Opera sidney

Desenhado pelo arquiteto Jorn Utzon, em 1957, rendeu a ele um prêmio internacional. O Sidney Opera House é a queridinha da Austrália. Pode-se dizer que é a construção mais famosa do país, tão conhecida quanto o canguru, animal símbolo de lá. Eu confesso que ver essa “belezura” de arquitetura nessa lista, me entristeceu. Esse belíssimo teatro tem um pequeno defeito, uma acústica horrível. O arquiteto Jorn Utzon foi afastado da obra durante a construção e um novo grupo de arquitetos contratados para levar a obra adiante fez algumas mudanças que resultaram em um lugar pequeno demais para óperas e um salão grande demais para apresentações musicais. Que triste não?

Taj Mahl

Você já ouviu falar na linda história de amor que envolve o famoso Taj Mahal? Construído sobre as ordens no imperador Shan Jahan para ser a tumba de sua amada esposa Mumtaz. Se você não sabia que se tratava de uma tumba, deve ler um pouquinho mais, mas não é por esse o motivo que essa obra entrou nessa lista.

tumba taj mahal

O Taj Mahal é conhecido pela perfeita e poética simetria dos jardins e até mesmo dos detalhes internos da obra, é ai que está o problema. A tumba de Mumtaz está perfeitamente alinhada com a entrada principal, se localizando exatamente ao centro da câmara. O filho de Shan Jahan colocou o pai ao lado de sua amada na mesma câmara. Só que a tumba de seu pai é menor, ou seja, é mais estreita e mais baixa que a de sua amada. Parabenizemos a inteligência do filho por não construir uma tumba para o pai e acabou “espremendo-o” ao lado de sua amada, arruinando toda essa linda e esplêndida arquitetura. Esse é o Taj Mahal, o templo do amor desequilibrado.

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Feito para dar ao monarca francês Luís XIV um lar digno de seu status como Rei Sol, poucos imaginariam que a luxuosa construção com 700 quartos, 67 escadarias, imensos tetos pintados e corredores de mármore teve algum problema. Você não acreditaria se eu dissesse que o Palácio de Versalhes foi construído sem banheiros. Eu me espantei com isso. No começo os moradores eram obrigados a fazer suas necessidades em pequenos penicos e então esvaziados atirando os dejetos pelas janelas do palácio, e sim, pessoas acabaram lambuzadas lá embaixo. Alguns faziam suas necessidades nos corredores, o que deixavam seus calçados, roupas e até perucas cheirando mal. Com o tempo uma lei obrigou os serviçais de limparem os corredores uma vez por semana (eu ri com isso, acho que deveria ser a cada uma hora, pelo menos) o que melhorou bastante o odor do palácio. Somente anos depois que alguma mente brilhante resolveu então, após muito tempo meditando na longa vida que ainda teria dentro daquele palácio, construir banheiros (aplausos vibrantes, essa pessoa merece). Este é o palácio do fedor eterno, não esqueça de visitar algum dia.

Posso citar alguns mais como o CitiCorp Center que se encontra em New York, a ponte Golden Gate que se encontra em São Francisco, e até mesmo o Palácio das Artes Rainha Sofia construído pelo famoso arquiteto Santiago Calatrava, que sofreu desabamentos internos causando polemicas e até mesmo abertura de ações judiciais contra o arquiteto.

Pode ser tudo muito esplêndido, extraordinário, faustoso, luxuoso, magnífico, majestoso, pomposo soberbo, suntuoso, mas nada é perfeito!

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