Passado, presente e futuro

por Lucas Marcelino em 28 de março de 2014

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“Uma História de Amor e Fúria” é uma animação brasileira de muito bom gosto. Bem trabalhada, desenhada (à moda antiga, porém digitalmente), com enredo criativo e de ficção científica para o público jovem-adulto. Foi escrito e dirigido por Luiz Bolognesi e conta com Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro no elenco para dublar as personagens.

Conta-se a história de um índio, um guerreiro imortal, escolhido por uma entidade indígena para liderar seu povo contra o mal. Ele tem mais de 600 anos e, através de uma espécie de reencarnação, transformando-se em um pássaro, o guerreiro vive quatro momentos marcantes na história do Brasil. O diretor Luiz Bolognesi fez uma longa pesquisa com profissionais das áreas de história e antropologia para definir quais períodos históricos seriam mencionados no filme. A era do descobrimento, em 1500; a época da escravidão, contada no Maranhão, em 1825; em 1968, na ditadura militar e num futuro distante onde o mundo está em guerra pela água, em 2096. Tudo isso recheado, claro, por uma história de amor, o amor por Janaína que perdura por séculos.

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O diferencial está na forma (ou visão) de como tudo é contado. Não é pela visão dos “heróis nacionais”, mas sim por quem sofreu na mão desses “heróis”. Uma frase muito marcante do filme é essa: “Meus heróis nunca viraram estátua. Morreram lutando contra os caras que viraram.”

A animação tem violência moderada e cenas de nudez. Muito típico de filme brasileiro, porém nada muito chocante, pois a falta de roupa dos índios é de se esperar, né? A fotografia e os traços são muito caprichados. A dublagem não fica para trás, bem certinha, bem como a trilha sonora.

O enredo te prende e ao mesmo tempo é curto. A mensagem é direta. O amor e a liberdade oprimido por forças maiores comuns em todas as épocas. O elemento “história” é muito forte. O longa foi muito bem sucedido ao retratar as épocas históricas e as ações de suas personagens em cada uma delas. Se tivesse mais tempo, dava para encaixar mais alguns períodos complicados da história nacional. Enfim, como resume a animação: “Viver sem conhecer o passado é viver no escuro.”

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