Motocross para garotinhas, sim senhor!

por Gabriela Vizine em 11 de setembro de 2013

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“Motocross é um esporte só para homens.”  É muito comum ouvir esse tipo de mimimi nas rodas de motociclistas?! Mas é aí que eles se enganam! Pois é, e quando são elas que sobem ao pódium… (YES, WE CAN!) Hum, surge uma invejinha da parte deles. E nem vem com esse papo de beira de fogão e lavar roupa no tanque, viu?!

Apesar de estudar Direito, o que Beatriz Bussularo gosta mesmo é de Motocross. Sem frescuras e nhenhenhém,  ela gosta é de andar de moto na lama. Sim, NA LAMA! E dá pra conciliar muito bem suas madeixas loiras com a estrada de barro.

E por falar na invejinha deles, olha eu aqui. Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada por Motocross. Ouvir o ronco do motor, observar a fumacinha do escape e ver os pingos de lama flutuando no ar enquanto a moto sai do lugar é muito mágico (lágrimas de emoção rolando aqui).  Bem que eu queria perambular pelas trilhas da vida, assim como a Bia.

Bom, chega de enrolação. Conheça um pouco da trajetória esportiva da piloto Beatriz Bussularo. Garanto que você irá se apaixonar ainda mais pelo Motocross, assim como eu. Enjoy it!

 

Bia, há quanto tempo você pratica Motocross?

Comecei a andar de moto através do meu pai, que já andava em trilhas e encontro de trilheiros. Minha paixão por moto começou ali, com apenas 7 anos de idade. Atualmente fazem 14 anos que pratico o esporte.

 

Seus pais aceitaram a ideia inicialmente?

Bom, meu pai foi o maior incentivador. No começo minha mãe foi contra porém, hoje dá o maior apoio. Já meu pai vive a adrenalina. Ele ainda anda de moto, mas tenho certeza que ele fica mais nervoso me observando correr de moto.

 

Motocross é um esporte que exige muita paixão. (É lindo, né?) O que ele significa em sua vida? Por que você escolheu o Motocross? Não seria mais fácil ter escolhido vôlei?

Tem uma frase do  Airton Senna que descreve o meu amor pelo esporte: “correr, competir eu levo isso no meu sangue. É parte de mim. É parte de minha vida.”  O esporte em duas rodas é sim, é minha paixão. Estar ali no meio de vários pilotos com o mesmo objetivo de vencer, esperar a hora da largada com coração pulsando cada vez mais rápido é incrível. Essa adrenalina que sinto, não tem explicação. Mas o amor não é só nas corridas. Depois arrumá-la (moto), gastar maior parte do seu dinheiro em equipamento… é gratificante. Essa paixão não tem explicação, só quem é piloto sabe o que é.

 

Acredito que grande parte dos pilotos que fazem trilha contigo ou que participavam nos campeonatos são homens. Você já sentiu preconceito ou ouviu piadinhas por ser mulher? Como você lida com isso?

A maioria de participantes em encontro de trilheiros , trilhas, corridas são homens. São poucas as mulheres que estão andando. Entretanto, o número delas vem aumentando cada dia mais. Os preconceitos não são de todos homens, porque há muitos homens que me elogiam, falam que irão mostrar para as esposas que têm mulher andando. Muitos pilotos incentivam e até mesmo ajudam. Todavia, como nada é perfeito, existem homens que fazem piadinhas, que tem preconceito e claro, não admitem ficar atrás de mulher alguma. Mas em relação aos preconceitos e piadinhas, sempre encaro como um incentivo para mostrar onde eu posso chegar.

 

Praticar é essencial para desenvolver melhor a habilidade no esporte. Como funcionam seus treinos?

Primeiramente faço academia para ganhar resistência. Após, realizo treinos na trilhas, onde passo por várias dificuldades como: lama, árvores caídas entre outras coisas, logo depois treino nas pistas. Além disso, procuro ter uma alimentação adequada.

 

No Motocross há várias modalidades. Em qual você se encaixa?

Já corri, na categoria 230cc que é a cilindrada da minha moto, como na livre, agora que estou na categoria batom.

 

Como você participa de campeonatos desde pequena, obviamente, recebeu muitos prêmios. Quais são as suas conquistas?

Bom, já tive algumas conquistas, tanto no motocross como no cross country. Alguns segundos, terceiros e quarto lugar, mas no campeonato sempre estava entre os dez.

 

Assim como em qualquer esporte, o piloto precisa de cuidados para se proteger de possíveis acidentes. Você utiliza equipamentos de segurança?

Exige muito de equipamento, como joelheiras, cotoveleiras, colete, bota, óculos, capacetes, protetor de pescoço, assim como a roupa, que é preparada especificamente para isso.

 

Em dias de tempo instável, a chuva torna a estrada em lama pura. O tempo pode ser um empecilho para você realizar o esporte? O que mais te motiva a persistir no motocross?

Bom, moro em Paranaguá, no Paraná, e o tempo aqui na maioria das vezes é úmido. A lama é certa quase o ano todo. E eu prefiro a lama. O tempo nunca é um empecilho na maioria das vezes, porém, há ocasiões que sim. O que me mais me motiva a praticar esse esporte é o amor que sinto por estar no meio das corridas e procurando sempre evoluir cada dia.

 

E quanto ao mercado de Motocross feminino, o que falta para ser mais explorado?

O  Motocross feminino vem crescendo a cada competição  sendo que o nível entre os competidores (homens e mulheres) deveria ser igualitário, esse é um ponto a ser mais explorado pelos organizadores.

 

É difícil assistir campeonatos em que as mulheres participam. Você acha que o número de pilotas está crescendo?

Sempre que dá, estou assistindo campeonatos de mulheres, o numero de pilotas está cada vez maior e as mulheres já estão ganhando seu espaço, ou melhor dizendo… já ganharam.

 

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