Os EUA que pararam no tempo

por Henrique Félix em 2 de setembro de 2013

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Você já assistiu aqueles filmes que se passaram nos Estados Unidos por volta dos anos 70 ou 80, onde as grandes estradas, o consumismo intenso e redes de fast food estão para todo lado? Tudo bem que tudo isso ainda continua a ser retratado nos filmes modernos da terra do Tio Sam, só que com uma cara mais moderna. Agora imagine que tudo aquilo que se passava naqueles filmes, na verdade, parou no tempo e foi transportado para um país da América do Sul. Eu vi com meus próprios olhos por toda a parte do país onde Simon Bolívar nasceu. Estamos falando da Venezuela.

Ao entrar no país pela fronteira mais ao Sul você se depara com belas paisagens da Gran Sabana, com o Monte Roraima e tribos de índios espalhados ao longo da rodovia. Mas para uma pessoa que já passou por lá pelo menos 5 vezes, essa “coisa bonita de se vê” quase não tem a ver com o que tem lá pra dentro. Ao descer a Sierra Lema, a porta de saída da Gran Sabana, nos deparamos com uma confusão de casas, carros, asfalto, lama e gasolina barata no sentido literal. Sim, ali começa a civilização. Uma civilização muito rural, mas já se tem um vislumbre do que você verá dali pra frente.

Já fui 5 vezes à Venezuela, 3 vezes acabei rodando praticamente todo o país, mas nada se compara com a precariedade que encontramos as coisas esse ano. Fomos da fronteira até Mérida, nas montanhas venezuelanas. Depois saímos de lá e fomos em direção a Margarita, a ilha caribenha, passando por Valência, um dos principais centros econômicos do país, e também na capital, Caracas. Nesse caminho vimos grandes auto-estradas, muitos postos de gasolina, Mc Donald’s, Burger King e Wendy’s à beira da estrada, sem contar os shoppings e lojas de conveniência por toda a parte. Nos supermercados e lojas de conveniências é muito fácil achar produtos de origem americana por toda a parte.

A capital é um emaranhado de montanhas, auto-estradas, favelas, prédios e carros, que desordenadamente vão compondo a paisagem. Não é difícil passar ao lado de grandes prédios comerciais, entrar e um túnel e dar de cara com favelas gigantescas. O que piora tudo é o fato de Caracas estar bem no centro de uma cadeia de montanhas que prendem toda a poluição ali. Aliás, poluição, tanto do ar, quanto sonora é o que não falta no lugar. Os carros buzinam o tempo todo e muitos prédios na região do centro estão abandonados ou mal cuidados. O transporte público funciona de forma desordenada e as regras de transito praticamente não existem, um mal nacional.

Enquanto estávamos indo de Valência à Caracas, fiquei observando a construção de uma linha de trem entre as duas cidades, vendo aquele movimento de carros, os postos de gasolina a beira da pista, uma grande quantidade de propagandas do Mc Donald’s ao longo da rodovia e pensei comigo: É incrível como um país onde o governo se esforça para fortalecer o socialismo ainda reine o consumismo canibal do capitalismo nesse lugar e, por conta do governo, isso tudo virou um grande Estados Unidos que parou no tempo.

O Eat is a Trip foi à Venezuela e produziu um Diário de Viagem. Fomos à Mérida e Margarita, passando pela Gran Sabana, e grandes cidades como Caracas. O primeiro capítulo vai estar aqui no blog, no próximo domingo. 
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