Um novo lugar para torcer

por Henrique Félix em 18 de junho de 2014

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Assistir a um jogo da copa do mundo sempre dá aquela emoção, ainda mais quando é um jogo do Brasil. Agora, quando a copa é no Brasil e a sua cidade é uma das sedes, obviamente você não pode deixar de assistir pelo menos um jogo no estádio (Nem que seja Honduras e Suíça). Hoje eu vou visitar pela terceira vez a Arena da Amazônia, aqui em Manaus. Vou assistir Croácia e Camarões pela copa do mundo. Tudo bem, não é o Brasil, mas são dois times do mesmo grupo, e com o empate de ontem, esse jogo se torna de extrema importância para o grupo. Como já conheço a Arena, vou contar um pouco de como é esse “padrão FIFA” de estádio.

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Em 1970 foi inaugurado o Estádio Vivaldo Lima em Manaus. Ele foi projetado pelo renomado arquiteto mineiro Severiano Porto. Era um estádio bonito, mas nos moldes antigos de estádios brasileiro, com fosso, sem cadeiras confortáveis, quase nenhuma cobertura e muito concreto. A primeira vez que fui lá foi em Abril de 99, quando o São Raimundo, um time daqui, ganhou a Copa Norte sobre o Sampaio Correia do Maranhão. Assisti jogos lá mais uma ou duas vezes. Mas assim que a oficialização do Brasil como sede da Copa do Mundo saiu e Manaus foi anunciada como sede, os planos de como iriam ser as obras de reforma do velho estádio ou da nova arena começaram a surgir. Existiam alguns projetos de reforma do Vivaldão, como era chamado, o deixando com uma cara um pouco mais moderna, mas sem alterar tanto o seu estilo, como foi feito com o Maracanã.

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Apesar de esforços para manter o estádio antigo, em 2011 começaram a demolir o saudoso Vivaldão, dando lugar a um cenário que parecia mais com o Haiti pós terremoto. Começava aí o sonho da Arena da Amazônia. O projeto previa arborização e gramado em torno da Arena, coisa que não existe e muito provavelmente não irá existir. Também era previsto um viaduto que impediria que uma das principais avenidas da cidade, a Constantino Neri, tivesse de fechar em dias de jogo. Mais uma obra que não aconteceu. Isso tudo sem falar no estacionamento para os carros dos torcedores, monotrilho e BRT. Ah, meu pai vive me lembrando que a “Arena Verde” não tem nada de verde. Deveria ter.

Nesse meio tempo fui morar em São Paulo e só conseguia ver a evolução das obras assim que chegava por aqui a cada seis meses. No começo, achei que ela nunca ia ficar pronta. Mas em cima da hora, como é normal não só dos estudantes, mas também de todos nós brasileiros, a mais bonita arena dessa copa (na minha opinião bairrista) foi ficando cada vez mais pronta.

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Não quero entrar em detalhes sobre os acidentes, gastos absurdos com a obra (e que na verdade nem sabemos direito para onde todo esse dinheiro foi) ou o mal uso das verbas públicas em vários outros aspectos. Então vou partir para a mágica de estar num estádio desses.

Queria ter ido para a inauguração. Um jogo com a rivalidade digna de Amazonas versus Pará, uma richa eterna do norte. Ali jogaram Nacional-AM (!) contra Remo-PA. Infelizmente o Leão da Colina, como é chamado o Nacional, empatou e acabou sendo eliminado da Copa Verde. Então tivemos o jogo do Vasco contra o Rezende pela Copa do Brasil. Mas quando foi anunciado o jogo do Nacional contra o São Luiz de Ijuí, um time do Rio Grande do Sul, me preparei para ir com meu pai assistir pela primeira vez um jogo no estádio que eu tinha visto morrer e depois renascer.

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Ingressos comprados, carro deixado fora do cordão de isolamento, camisa do Brasil (não tenho uma camisa do Nacional. #ficadica), fomos andando por alguns metros até a entrada do estádio. Entrada tranquila, um público pequeno devido a importância do jogo (exceto para mim). Ao subir as rampas largas da Arena, ainda era possível ver alguns lugares esperando um acabamento. A estrutura metálica que faz o estádio parecer uma cesta de palha é bem grande. Uma obra bem moderna.

Dei uma volta em torno do estádio para ver uma posição bem legal para assistir o jogo. Sentamos perto do gramado, quase ao centro. Na Copa do Mundo, esse é o local dos ingressos mais caros. Cadeiras relativamente confortáveis, acessibilidade decente e uma arquitetura de encher os olhos. Com um pai arquiteto do lado, dá pra descobrir os erros e acertos da construção. Esses erros pareciam quase não existir perto da felicidade de estar lá.Naquela noite lembro de ter chovido um pouquinho, mas nada que tirasse a alegria de visitar a Arena da Copa e ver o Nacional se classificar para a próxima fase do campeonato.

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Ainda fui por lá assistir o jogo onde o time da casa jogou fora de casa. O jogo Corinthians versus Nacional, onde os amazonenses lotaram a Arena para torcer pelo time alvinegro paulista. Eu, meu pai e mais um punhado de gente estávamos tocando, calados, pelo Nacional. Mas a segurança era boa, e não tínhamos muito motivos para ter medo da violência no estádio.

O lado bom de um estádio desse tipo, sem dúvida, é o conforto e a segurança. Uma arquitetura de encher os olhos. Por outro lado os preços dos ingressos não são tão acessíveis para o público que costumava frequentar o saudoso Vivaldão. Esse é um efeito que está acontecendo em todas as novas arenas. Ainda assim espero assistir grandes espetáculos, não só de futebol, em uma das maiores obras do estado do Amazonas. Espero que não vire um elefante branco. Sou otimista quanto a isso.

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Hoje vou entrar em um ônibus perto de casa que irá me deixar na porta do estádio. Para entrar nesse ônibus é preciso apresentar o ingresso do jogo. Esses ônibus saem do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, próximo a minha casa, em outros três pontos no Centro de Manaus e um outro do local onde acontece a Fan Fest da FIFA, na Ponta Negra.

Ah, pra quem eu vou torcer? Dadas as circunstancias pelo jogo de ontem, sou Croácia desde pequenininho. SSe Camarões ganhar, vai disputar uma vaga com o Brasil, já que a Croácia irá sem motivação alguma para enfrentar o México. Caso a Croácia vença, essa situação se inverte, e quem enfrentará dificuldades será o México, facilitando para o Brasil. Em caso de empate, tudo se embola.

Amanhã vou contar para vocês como foi o jogo, ok?

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